[ INSTITUTO ARTE DAS AMÉRICAS ]

O Instituto Arte das Américas, fundado em Belo Horizonte, é uma associação de caráter cultural, que visa promover atividades artísticas, educacionais, ecológicas e sociais junto à comunidade, em parceria com outras instituições públicas e privadas, atuando em âmbito nacional e internacional. Propõe manter intercâmbios com instituições culturais, ecológicas, sociais e educacionais do país e do exterior; organizar debates, seminários, conferências, cursos e exposições de arte, proporcionar a troca de experiências entre artistas, promover publicações, restaurações do patrimônio cultural, além de incentivar projetos, visando a valorização do bem estar da comunidade e a formação do sujeito como cidadão. Em termos institucionais, objetivamos criar, através do Instituto Arte das Américas, um grupo específico, composto por artistas, curadores, críticos, produtores culturais, pesquisadores, colecionadores, empresários, professores e estudantes de arte, que contribua com a gestão dos projetos propostos pelo Instituto.


Projeto Circuito Arte das Américas

O primeiro projeto promovido pelo Instituto foi o Circuito Arte das Américas, evento internacional de artes visuais que ocorreu, em Belo Horizonte, em novembro de 2001. A idéia partiu das discussões dos pesquisadores envolvidos no projeto "Um Século de História das Artes Plásticas em Belo Horizonte", organizado pela C/Arte Projetos Culturais, em 1997, e viabilizado a partir de parcerias com instituições públicas e privadas da cidade e com o apoio das leis de incentivo cultural. A partir da pesquisa histórica, das exposições e publicações realizadas neste projeto, detectamos a força da produção artística local e sua representatividade no contexto da arte brasileira. As discussões nos apontaram a necessidade de mostrar a nossa arte e também de receber novas informações sobre a produção artística de nosso continente, buscando um diálogo cultural intercontinental abrangendo os países das Américas (América do Norte, América Central e América do Sul).


O projeto Circuito Arte das Américas foi lançado no Seminário Internacional, coordenado pelo Prof. Fabrício Fernandino, durante o 32o Festival de Inverno da UFMG, realizado em Diamantina em julho de 2000. Neste evento, tivemos a participação dos historiadores Fernando Pedro e Marília Andrés, do jornalista Walter Sebastião e do presidente da Fundação Clóvis Salgado, Mauro Werkema, estabelecendo a parceria entre a C/Arte Projetos Culturais, a Fundação Clóvis Salgado e a UFMG. Posteriormente, convidamos o arquiteto João Diniz para participar do grupo responsável pela gestão do projeto, contemplando a inserção da arquitetura e do design nas nossas discussões. O Circuito Arte das Américas propõe estabelecer intercâmbios periódicos com instituições culturais, artistas, curadores, galeristas, historiadores, restauradores, pesquisadores, professores e estudantes de arte das diversas regiões do Brasil e do Continente Americano, realizado através de exposições, seminários e oficinas, voltados para a reflexão e produção artística contemporânea, incluindo publicações pontuais, tais como a edição de uma revista especializada. A iniciativa contempla o universo das artes visuais (artes plásticas, instalações, web art, fotografia, vídeo, desenho animado, arquitetura e design).


Para iniciar os trabalhos em favor do Circuito Arte das Américas foi organizado o Fórum em novembro do ano passado, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. O evento proporcionou a discussão de questões referentes à arte e arquitetura contemporânea no Continente Americano, dentro do contexto da globalização e do multiculturalismo, e apontou novas possibilidades para a ampliação do diálogo cultural intercontinental. Na pauta do Fórum estiveram em debate os temas: Arte e Política nas Américas: a Contemporaneidade, Bienais: possibilidades e limites, Intercâmbios Culturais nas Américas e Américas: territórios e experiências.


Foram convidados para participar deste primeiro Fórum quatro curadores internacionais e sete brasileiros, que têm mostrado uma atuação significativa no debate contemporâneo sobre as artes visuais e a arquitetura: Nelson Herrera Ysla (Cuba), Alfons Hug (Alemanha), Edward Sullivan (EUA), Andrea Giunta (Argentina), Leonor Amarante (SP), Fernando Cocchiarale (RJ), Aracy Amaral (SP), Icléia Catani (RGS), Roberto Segre (RJ), Mauríco Andrés Ribeiro (DF) e Antônio Carlos Brandão (BH).


A partir do Fórum produziremos o primeiro número da Revista Circuito Arte das Américas, publicação que será veiculada periodicamente, discutindo temas significativos da arte contemporânea. O primeiro número da Revista, a ser lançada no primeiro semestre de 2002, será um registro do Fórum, apresentando os textos dos participantes e a síntese das discussões, bem como matérias pertinentes à realização das etapas seguintes do projeto.
O Fórum trouxe informações fundamentais para estabelecer as diretrizes conceituais e curatoriais do projeto Circuito Arte das Américas, que terá como desdobramentos, a princípio, a produção de exposições pontuais, intercâmbio entre artistas, críticos e pesquisadores, de forma sistemática, viabilizando a implantação de oficinas teóricas e práticas entre os países envolvidos no projeto. Através dessas oficinas e de publicações objetivamos envolver a comunidade de Belo Horizonte e dos arredores nos eventos, seja como visitantes, seja como participantes, leitores, etc.


Para justificarmos a realização do Circuito Arte das Américas em Belo Horizonte partimos da realidade de uma metrópole experimentada hoje pela capital mineira. A cidade já é palco de importantes eventos internacionais na área da cultura como o Festival Internacional de Teatro (FIT), o Fórum Internacional de Dança (FID), a Bienal Internacional de Quadrinhos, o Festival Internacional de Teatro de Bonecos, entre outros. Até então, não tínhamos na cidade um projeto internacional que contemplasse as artes visuais de forma periódica e sistematizada, mesmo contando com sofisticadas galerias de arte, conceituadas escolas de arte e vários espaços culturais que apresentam uma programação intensiva nessa área.


A realização do 1o Evento do Circuito Arte das Américas certamente contribuiu para um desafio que consiste na inserção de Minas Gerais no horizonte da globalização, da economia e da mundialização da cultura, na medida que tornou-se um evento capaz de viabilizar uma maior visibilidade da produção artística mineira no contexto internacional, a exemplo da Bienal Internacional de São Paulo, que estabelece uma discussão da arte em nível mundial na cidade de São Paulo, e da experiência recente da Bienal do Mercosul em Porto Alegre, que vem discutido a questão da arte no Cone Sul. Este desafio nos aponta a importância da produção, distribuição e fruição da cultura artística local, bem como o diálogo intercontinental, possibilitando a troca de experiências e salientando as diversidades culturais entre as regiões brasileiras e os países do continente americano.


O motivo que nos leva a apontar as Américas como eixo para o projeto fundamenta-se na ausência de um evento internacional na área das artes visuais que faça este recorte e também pela experiência do Encontro das Américas que ocorreu em Belo Horizonte no início dos anos 90, voltando-se para a discussão de assuntos econômicos entre os países do continente americano. Sendo assim, o Circuito Arte das Américas abrirá uma nova frente de intercâmbio, realçando as afinidades e diferenças sócio-culturais existentes entre os países de nosso continente.


O público alvo desse projeto abrange, além daqueles que participam do circuito artístico, os professores universitários, os estudantes de 2º e 3º Grau, os profissionais liberais, os empresários, a imprensa e o público freqüentador dos espaços culturais.
Para viabilizarmos um projeto cultural de tal amplitude, deixamos público a possibilidade do trabalho coletivo através da fundação do Instituto Arte das Américas, iniciativa para a qual contamos com a participação do meio artístico, acadêmico, governamental e empresarial, pois entendemos que o trabalho conjunto em favor de um ideal comum é a forma mais viável de construirmos cultura e viabilizarmos a circulação das informações teóricas e práticas hoje em debate. Através desta iniciativa e de um trabalho contínuo possibilitaremos o acesso cultural a um público mais amplo, garantindo a difusão do conhecimento e a fruição da informação de forma sistematizada e dinâmica. (1)


Fernando Pedro da Silva (2)

Notas:
(1) O texto foi publicado no Caderno Pensar do jornal Estado de Minas de 1o de setembro de 2001, p. 4, com o nome BH no Circuito.
(2) Fernando Pedro da Silva é historiador, Diretor da C/Arte Projetos Culturais e Presidente do Instituto Arte das Américas.


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