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[ CIRCUITO DE ARTE DAS AMÉRICAS ]
Planejamento objetivo demonstra possibilidade de Belo Horizonte se tornar ponto de convergência da arte que se produz nas Américas
Fernando Pedro da Silva
A experiência na produção cultural em artes visuais gerada em discussões de pesquisa histórica empreendidas em função de projetos como Um Século de História das Artes Plásticas em Belo Horizonte e Circuito Atelier, organizados pela C/ Arte Projetos Culturais, possibilitaram um balanço da qualidade de nossa produção artística local, o que nos apontou a necessidade de ampliarmos a pesquisa sobre as artes visuais no Brasil.. Avançando nesta direção, constatou-se a necessidade de se materializar e efetivar as reflexões através de um evento internacional abrangendo os países das Américas. Consolidou-se, assim, a proposta do Circuito de Arte das Américas, fórum trienal a ser sediado em Belo Horizonte, com o objetivo primordial de estabelecer trocas com outras regiões do continente americano, tanto em exposições, quanto no debate crítico acerca da produção artística contemporânea além da prática nos ateliês. Focalizamos a necessidade de uma iniciativa efetiva não só no sentido de mostrar ao Brasil e ao exterior a riqueza da produção artística local, mas de viabilizar a criação, em Belo Horizonte, de um pólo de exposição e reflexão sobre a produção artística do Brasil e das Américas.
O objetivo principal do Circuito de Arte das Américas é estabelecer um elo internacional para o debate sobre as artes visuais entre o público e artistas, críticos, pesquisadores brasileiros e estrangeiros. Tal iniciativa será capaz de fazer de Belo Horizonte um ponto de convergência das artes visuais nas Américas, em que o diálogo entre expressões da arte do continente e a arte local, em suas respectivas particularidades, resultará em um expressivo encontro de fazeres, tendências e linguagens. Constatado o potencial cultural, econômico, educacional e político de um projeto como este, é necessário prosseguir com o debate a respeito da realidade cultural de Belo Horizonte e de suas potencialidades enquanto pólo exportador de realizações culturais. Mais do que isso, é necessária uma reflexão sobre as reais condições da cidade para exercer esta potencialidade e de se precisar o tipo de organização necessária para tal e de que forma isso irá ocorrer. A importância de um evento como este para Belo Horizonte já é patente. Resta traçar um panorama objetivo das etapas necessárias para esta realização. Segundo esta diretriz, visamos não somente continuar as discussões sobre as possibilidades de uma programação em artes visuais mais abrangente em Belo Horizonte, como também sensibilizar todos os setores da sociedade, apresentando as formas de viabilização do Circuito de Arte das Américas.Em primeiro lugar, é preciso estabelecer uma articulação organizacional que permita a criação de uma estrutura viável de execução do projeto, o que quer dizer a princípio uma mobilização em diversos níveis tais como: empresarial, artístico, institucional, e político em uma rede de contatos nacional que envolva artistas, empresários, críticos e estudiosos das artes e governantes para a definição das primeiras premissas, do conceito e de quais os objetivos do evento, buscando já neste momento o incremento da interlocução os mesmos setores a nível internacional. Em segundo lugar, com uma proposta de realização mais definida, deve-se acionar os segmentos que garantiriam a viabilidade estrutural do evento, definindo-se aqui entidades de apoio e patrocínio.Ressaltamos também que o Circuito de Arte das Américas, enquanto evento capaz de capitalizar iniciativas locais atraindo recursos e investimentos, exige dos governantes - nos âmbitos municipal, estadual e federal - um efetivo posicionamento. Este é um evento que, de acordo com suas inúmeras potencialidades já mencionadas, merece lugar de destaque na pauta política, em uma ação conjunta, independente de posicionamentos ideológicos, por ser esta uma proposta para a cidade, para o estado e para o país. A grande justificativa para a realização desta proposta cultural para a cidade de Belo Horizonte refere-se à realidade de metrópole experimentada hoje pela capital mineira. Belo Horizonte já é palco de importantes eventos internacionais na área da cultura como o Festival Internacional de Teatro (FIT), Festival Internacional de Dança (FID), a Bienal Internacional de Quadrinhos, entre outros eventos. Porém, não temos ainda nenhum acontecimento internacional dedicado às artes visuais. No entanto, contamos com sofisticadas galerias de arte e importantes espaços culturais que apresentam uma programação intensiva na área de artes visuais, bem como com uma produção estilística importante na área de moda, incluindo o curso de estilismo que funciona na Escola de Belas Artes da UFMG. A produção artística brasileira é uma das mais representativas das Américas, daí a necessidade de se promover eventos internacionais que permitam a troca de experiências, salientando as diversidades culturais entre as regiões brasileiras e os países do continente. Como eventos representativos de mostras internacionais no Brasil temos hoje a Bienal Internacional de São Paulo, considerada a primeira e mais representativa bienal internacional do continente, além da experiência recente da Bienal do Mercosul, que acaba de realizar sua segunda edição em Porto Alegre. Considerando a representativa produção artística de Minas Gerais desde o século XVIII e o valor de seus artistas contemporâneos é que colocamos o Circuito de Arte das Américas como evento capaz de viabilizar uma reconfiguração de nossa história no contexto brasileiro e internacional. O fato que nos leva a apontar as Américas como eixo para as exposições internacionais fundamenta-se em primeiro lugar por não existir ainda um evento internacional na área das artes visuais que faça este recorte, e também pelo sucesso da experiência do Encontro das Américas ocorrido em Belo Horizonte em 1997, o qual voltava-se para assuntos econômicos entre os países do continente americano. Outro ponto que norteou nossa opção pelas Américas foi o fato de já existir uma Bienal do Mercosul em Porto Alegre, que focaliza a arte do Cone Sul e a Bienal Internacional de São Paulo que já estabelece uma reflexão em nível mundial. Sendo assim, a Circuito de Arte das Américas abrirá uma nova frente de intercâmbio, realçando as afinidades sócio-culturais existentes entre as nações americanas.
Esta iniciativa revela ainda um importante caráter educacional, definido não só pela troca de informações e intercâmbio de trabalho promovido pela presença de diversos artistas na cidade e das discussões geradas em cada ateliê, mas também pela vivência dessa realidade de efervescência cultural a ser experimentada pela população, e ainda pelos desdobramentos - publicações, catálogos, revistas, etc. - com aplicação educativa passível de ser estendida a escolas e centros de referência.Tal conjunto de ações resulta na ampliação do alcance cultural das artes plásticas, originando conseqüentemente novos públicos, novos focos de interesse neste assunto, não contemplados ainda pelas presentes iniciativas culturais.
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