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RAIMUNDO MACHADO AZEREDO
Nasceu em Matozinhos, MG, 1894, e faleceu em Belo Horizonte,
1988. Trabalhou como balconista, operário de limpeza pública,
auxiliar de mecânico da Central do Brasil, na Empresa Gravatá
e na Imprensa Oficial de Minas Gerais, entre 1927 e 1960, quando se
aposentou. Tocava trombone na banda do 12o Regimento Militar. Artista
autodidata, criou o Presépio do Pipiripau, obra única
iniciada na casa de sua mãe em 1906, quando ainda era jovem,
e que continuou a produzir até o final de sua vida. A partir
de 1912 introduz o movimento no presépio usando as engrenagens
de um gramofone e em 1925 ilumina o presépio com iluminação
a gás. Aos poucos acrescenta cenas religiosas e profanas, incorporando
objetos descartáveis, figuras de papiê machê e paisagens
pintadas nas paredes do presépio. Em 1922 é tirada a primeira
fotografia e realizada a primeira reportagem do presépio no jornal
dominical A Tribuna, de autoria de José Romeu dos Santos. Em
1927 Carlos Drummond de Andrade transforma o presépio em motivo
poético e em 1930 ele é homenageado pelo escritor Cyro
dos Anjos. Em 1954, a Comissão Mineira de Folclore envia o Pipiripau
para representar Minas Gerais no IV Centenário da Cidade de São
Paulo, comemoração realizada no Parque de Ibirapuera,
e dali ele segue para Barbacena e Juiz de Fora. Em 1971, Raimundo Machado
é agraciado com a Medalha da Ordem dos Pioneiros por ter trabalhado
na construção de Belo Horizonte. Em 1976 o Pipiripau é
apresentado na Expo, no bairro da Gameleira, em Belo Horizonte, atraindo
a atenção dos compradores. Em 1976, por meio de contrato
de comodato, o Pipiripau e o seu idealizador vieram para o Museu de
História Natural da UFMG, na gestão do reitor Eduardo
Osório Cisalpino, e, em 1983, a obra é adquirida e instalada
neste Museu, na gestão do reitor José Henrique dos Santos.
O Presépio é tombado pela Serviço do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional em 1984. A decoração
de Natal de Belo Horizonte, em 1993, tem como tema o Presépio
do Pipiripau, a obra mais expressiva de arte popular da cidade e , em
1997, Raimundo Machado integra a exposição, o livro, video
e cd-rom do projeto Um Século de História das Artes
Plásticas em Belo Horizonte.
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