Amilcar de Castro - Depoimento

"O desenho com lápis duro foi como um funil, me fez entrar por um caminho que eu achei muito bom. Desenhar com lápis duro dá o prazer de fazer bem feito. Você não pode errar, você tem que fazer o melhor possível. Se errar não há conserto, não sai nunca mais, pois o lápis duro sulca o papel. O traço tem que ser feito corretamanete, severamente. Isso me deu uma grande alegria e comecei, por aí mesmo, a ser mais severo, mais decidido.

O desenho é muito importante para trabalhar a escultura porque não tem negócio de sombra. Sombra engana todo mundo, enrola todo mundo. Se está errado o braço, é porque essa linha está errada, não é porque existe sombra. A sombra muda segundo a hora do dia, a linha não, é essa aqui e pronto.

Minha escultura começa no ateliê, aqui eu faço o desenho, faço uma maquete de papel, depois, se gosto, passo para o ferro e faço uma maquete. Então, se eu gosto, aumento o tamanho. O desenho é fundamento, uma maneira de pensar. E pensar, em arte, é desenhar porque, sem desenho, não há nada. Existem outros escultores que fazem esculturas sem desenhar. Eu não sei fazer nada sem desenhar."

"A grama desenha o verde
A árvore desenha o céu
O vento desenha a nuvem
A nuvem desenha o azul
A água desenha o rio
E o homem desenha o tempo
na exatidão do sonho.
"

 

Amilcar de Castro: depoimento. Coleção Circuito Atelier.
Belo Horizonte: C/Arte, 1999, p. 25 e 33-34.
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