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Um Olhar sobre a História da Arte em B. H. (página 6 de 6)

Noturno para um Blade Runner - Ana Horta O ocaso das neovanguardas ocorreu a partir dos anos 80, quando os artistas passaram a trabalhar de forma mais introspectiva, explorando as possibilidades poéticas de cada linguagem e voltando-se para as oscilações do mercado de arte. A arte contemporânea belo-horizontina apresenta um confronto de perspectivas, que no início dos anos 80 surge como um arroubo libertário e uma alegria guerreira contra todos os dogmas, inclusive os modernos, e torna-se, nos anos 90, dramaticidade e melancolia (18).

Cozinha de Cálder - Fernando Lucchesi O artista contemporâneo não é mais aquele rebelde questionador do status quo, mas é aquele jogador que sabe jogar bem dentro do sistema estabelecido, sem deixar de lado a qualidade de sua obra, a exemplo de Ana Horta, Marco Túlio Resende, Isaura Pena e Mônica Sartori, que lançaram o gesto inaugural da pintura e do desenho neo-expressionistas; Fernando Lucchesi, inventor de instalações e objetos neobarrocos; José Bento, construtor de esculturas monumentais inseridas no espaço urbano; Solange Pessoa, Roberto Bethônico e Rivane Neusenschwander, produtores de objetos e instalações voltados para a experiência com materiais orgânicos; Rosângela Rennó, Eustáquio Neves e Cao Guimarães, inventores de novas imagens fotográficas; Roberto Moreira e Éder Santos, criadores de vídeos sobre suportes carregados de memórias da tradição mineira; Lindsley Daibert, pesquisador de esculturas virtuais; e de outros artistas emergentes que revelam poéticas singulares pautadas pelas experimentações com diversos materiais e suportes.

Janaúba - Éder Santos A arte contemporânea marca o advento do momento pós-moderno, registrando o presente, o aqui e agora, sem pretender criar um mundo utópico como propugnavam as vanguardas e as neovanguardas. Insere-se no circuito artístico sem questionamentos radicais e constata o ocaso da tradição moderna centrada na tensão ideológica entre o novo e o antigo, voltando-se para o fazer artístico cotidiano e a luta pela sobrevivência dentro de uma sociedade competitiva, inserida no processo de globalização (19).

Marília Andrés Ribeiro e Fernando Pedro da Silva
Coordenadores do Projeto "Um Século de História das Artes Plásticas em Belo Horizonte".