Um Olhar sobre a História da Arte em Belo Horizonte
O objetivo deste trabalho é mapear as possibilidades de elaboração de uma leitura da história das artes plásticas em Belo Horizonte, por meio da revisão crítica e historiográfica e da sensibilidade dos artistas plásticos, fotógrafos e videomakers. Trata-se de pensar a reconstrução da história da cidade ao longo do século, focalizando a linguagem visual e seu diálogo com outras manifestações artísticas (1).
Consideramos a arte como uma atividade constitutiva da vida das cidades e o contexto urbano como o espaço dos objetos artísticos que estão presentes no planejamento, nas construções arquitetônicas, na decoração das casas, das igrejas, dos palácios, bem como no vestuário e nos ornamentos usados pelos homens (2).
A partir dessas considerações, centramos nossa leitura nas mudanças que ocorreram na visualidade artística de Belo Horizonte durante esse século.
Belo Horizonte foi construída na última década do século XIX, como uma cidade planejada de acordo com a concepção republicana moderna seguindo o modelo ideal da cidade neoclássica. O planejamento urbano foi concebido pelo engenheiro Aarão Reis, chefe da Comissão de Construção da Nova Capital. Essa concepção ordenada do espaço concentrou-se na zona urbana da cidade, onde as ruas paralelas e as avenidas ortogonais foram geometricamente desenhadas, convergindo para as praças. O plano apresentava-se como um tabuleiro de xadrez circundado pela Avenida do Contorno, que sugeria uma muralha imaginária em torno da cidade. No centro, foram construídos o palácio e os prédios oficiais segundo o modelo eclético com ornamentação art nouveau, e ainda a Matriz da Boa Viagem, o Parque Municipal, o Mercado Central e as casas dos funcionários públicos.
Os imigrantes europeus revelaram-se como os primeiros artistas construtores de Belo Horizonte - Émile Rouède, Frederico Steckel, Luis Olivieri, João Amadeu Mucchiut, os irmãos Natali, Francisco Soucasaux e Igino Bonfioli - pintores, escultores e fotógrafos, provenientes da França, Alemanha, Áustria e Itália, que introduziram o paisagismo, o simbolismo e o realismo na arte da nova capital. As construções oficiais foram concebidas pelo arquiteto José de Magalhães, seguindo os princípios da Escola de Belas Artes de Paris, e a decoração dos prédios teve a coordenação de Frederico Steckel, responsável pela equipe de pintores e escultores da nova capital. Para documentar o antigo arraial foi contratado o artista francês Émile Rouède, e posteriormente foram instalados vários gabinetes fotográficos no centro da cidade, onde trabalharam diversos fotógrafos estrangeiros, destacando-se Francisco Soucasaux e Igino Bonfioli. Bonfioli foi também o primeiro cineasta da nova capital mineira, produzindo documentários interessantíssimos sobre a vida da cidade.
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