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Um Olhar sobre a História da Arte em Belo Horizonte

Má Notícia - Belmiro de Almeida O objetivo deste trabalho é mapear as possibilidades de elaboração de uma leitura da história das artes plásticas em Belo Horizonte, por meio da revisão crítica e historiográfica e da sensibilidade dos artistas plásticos, fotógrafos e videomakers. Trata-se de pensar a reconstrução da história da cidade ao longo do século, focalizando a linguagem visual e seu diálogo com outras manifestações artísticas (1).

Rua dos Guajajaras - Francisco Soucassaux Consideramos a arte como uma atividade constitutiva da vida das cidades e o contexto urbano como o espaço dos objetos artísticos que estão presentes no planejamento, nas construções arquitetônicas, na decoração das casas, das igrejas, dos palácios, bem como no vestuário e nos ornamentos usados pelos homens (2).

A partir dessas considerações, centramos nossa leitura nas mudanças que ocorreram na visualidade artística de Belo Horizonte durante esse século.

Palácio da Liberdade - Postal de 1904 Belo Horizonte foi construída na última década do século XIX, como uma cidade planejada de acordo com a concepção republicana moderna seguindo o modelo ideal da cidade neoclássica. O planejamento urbano foi concebido pelo engenheiro Aarão Reis, chefe da Comissão de Construção da Nova Capital. Essa concepção ordenada do espaço concentrou-se na zona urbana da cidade, onde as ruas paralelas e as avenidas ortogonais foram geometricamente desenhadas, convergindo para as praças. O plano apresentava-se como um tabuleiro de xadrez circundado pela Avenida do Contorno, que sugeria uma muralha imaginária em torno da cidade. No centro, foram construídos o palácio e os prédios oficiais segundo o modelo eclético com ornamentação art nouveau, e ainda a Matriz da Boa Viagem, o Parque Municipal, o Mercado Central e as casas dos funcionários públicos.

Largo da Matriz da Boa Viagem - Émile Rouède Os imigrantes europeus revelaram-se como os primeiros artistas construtores de Belo Horizonte - Émile Rouède, Frederico Steckel, Luis Olivieri, João Amadeu Mucchiut, os irmãos Natali, Francisco Soucasaux e Igino Bonfioli - pintores, escultores e fotógrafos, provenientes da França, Alemanha, Áustria e Itália, que introduziram o paisagismo, o simbolismo e o realismo na arte da nova capital. As construções oficiais foram concebidas pelo arquiteto José de Magalhães, seguindo os princípios da Escola de Belas Artes de Paris, e a decoração dos prédios teve a coordenação de Frederico Steckel, responsável pela equipe de pintores e escultores da nova capital. Para documentar o antigo arraial foi contratado o artista francês Émile Rouède, e posteriormente foram instalados vários gabinetes fotográficos no centro da cidade, onde trabalharam diversos fotógrafos estrangeiros, destacando-se Francisco Soucasaux e Igino Bonfioli. Bonfioli foi também o primeiro cineasta da nova capital mineira, produzindo documentários interessantíssimos sobre a vida da cidade.