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"Eu comecei desenhando. Desenhei muitos anos, tenho a mapoteca lotada de desenhos, nunca fiz uma exposição com eles, gostaria muito de fazer. Do desenho passei para a aquarela, da aquarela caí na pintura. Na pintura, o objeto já estava junto. Comecei mesmo em 78, naquela exposição A Paisagem Mineira, em que participei com umas pinturas, horrorosas, que tenho até hoje. E, hoje em dia, o objeto e a pintura. O desenho, menos, talvez pela falta de espaço, o desenho precisa de um lugar mais limpo. E a pintura e o objeto cresceram muito. Queria parar um pouco com eles, dar um tempo para reciclar. Para a pintura eu já tenho um caminho; para o objeto, ainda não. O marcante é a pintura, foi a pintura que me colocou no mundo." "Marcantes em relação à religião foram as viagens que realizei a Ouro Preto e a outras cidades do interior de Minas depois dos 18 anos. Comecei a fazer uma pesquisa inconsciente, ia muito a Diamantina, Vale do Jequitinhonha, Ouro Preto. E a relação com a religiosidade se iniciou com precariedade. O primeiro objeto que fiz foi um retábulo para o presépio de meu filho. Era Natal e eu havia ganho de minha avó um presépio. Como meu filho tinha nascido, cismei de fazer uma caixinha para ele. Isso quando eu tinha 26 anos. Eu não tinha material, por isso usei umas latas velhas, umas madeiras velhas e montei uma caixinha."
Fernando Lucchesi: depoimento. Coleção Circuito Atelier. |