PERFIL

ESTUDOS NA FAOP

O anúncio da abertura de vagas na escolinha de arte criada por Nello Nuno e Annamélia , dois expoentes das artes plásticas em Minas Gerais, mudou a vida de Jorge dos Anjos. "Vi o cartaz em Ouro Preto e, ao chegar em casa, falei para meu pai que queria fazer o curso", diz. O garoto passou a assistir as aulas do ginásio, hoje ensino fundamental, no turno da noite, e a se dedicar à verdadeira paixão durante o dia. Nesta época, a escolinha, segundo Jorge dos Anjos, havia sido incorporada pela Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop).


A inspiração para os desenhos vinha da paisagem de Saramenha. "Sempre gostei de retratar o meu entorno e Nello me incentivou a desenvolver este lado. Aprendi que poderia fazer poesia com pintura, contar minha história, e fazer desta técnica uma forma de expressão", declara.


Os temas do dia-a-dia ganhavam outra vida na mente do mineiro. "Não queria fazer paisagem para turista", diz. Ao invés disso, ele preferia pintar os burrinhos tropeiros, os pombos e as casas da cidade histórica, com antenas de televisão. Estes trabalhos foram expostos, na década de 70, no escritório de decoração Planin, em São Paulo, e alguns deles acabaram sendo vendidos.


Em 1975, o artista decide explorar a questão negra com mais profundidade e, para isso, usa as imagens e informações de revistas da África, emprestadas por um amigo. "Primeiro desenhei índios, mas Nello não gostou e disse para ir ao Xingú ou à África pesquisar sobre o assunto. Eu não tinha vivência suficiente para abordar o tema", afirma Jorge dos Anjos, que, na época, resolve abandonar temporariamente o assunto.


Na Faop, ele também conta com a ajuda e a crítica de outros mestres da arte brasileira, como Amilcar de Castro, responsável pelo aprendizado da noção de estrutura e composição, marca forte no trabalho dos dois mineiros. "Ele me deu os fundamentos, a régua e o compasso, como diz a música do Gil", brinca.


(Texto: Daniela Paiva Pacheco)

 

 

 

 

 

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