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PERFIL
TRAJETÓRIA
ARTÍSTICA
Em
meados da década de 70, ao observar o retrato de um branco, pintado
de preto, por Jorge dos Anjos, Nello Nuno constata que não tem
mais nada a ensinar ao aluno. "Ele se vira para mim, diz isso e
me convida para usar o espaço apenas como um local de criação
das obras", lembra. Iniciam, assim, as mudanças radicais
na vida de Jorge, que passa a morar em uma república de artistas,
até se casar em 1977.
Um ano antes, ele produz três quadros sobre a descaracterização
de Ouro Preto (tema em pauta na época), premiados no I Salão
Nello Nuno. "As obras, juntas, contavam uma história. Era
o caminhão chegando na cidade, atravessando as ruas e, depois,
saindo de Ouro Preto com pedaços do barroco na carroceria",
conta.
Os trabalhos seguintes vêm em forma de vasos de flores e figuras
humanas, em preto e branco. "Era muito pesado porque minha vida
estava um caos", lembra. No princípio, morava em uma casa
com um grande espaço para pintar, onde retratava uma Ouro Preto
de tons vivos. "O casario não importava muito e sim a cor",
diz. Mas, a falta de dinheiro obriga Jorge e sua família a se
mudarem para uma casa menor. "Fiquei um tempo sem pintar com um
objetivo traçado. Além disso, era complicado trabalhar
com tinta devido ao fato de estar com criança pequena dentro
de casa", lembra. A crise artística se agrava, levando o
artista a buscar ajuda de um terapeuta em Belo Horizonte. "Voltei
a me organizar e passei a desenhar as questões discutidas durante
as sessões", relata.
Do nanquim, em preto e branco, surgem demônios, igrejas e traços
do barroco, formando uma mistura de diferentes símbolos, muito
confusos, segundo Jorge dos Anjos. "Passei a simplificar, separando
as idéias presentes nos desenhos. Não havia preocupação
com a linguagem e sim com o que estava dentro. Nesta época, também
surgiu a idéia de transformar as imagens em chapa, mas, por falta
de infra-estrutura, não pude fazê-lo", recorda. A
intenção era usar como matéria-prima tambores de
óleo.
(Texto: Daniela Paiva
Pacheco)

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