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PERFIL CULTURA NEGRA E ESCULTURA "Sempre quis fazer uma pintura brasileira, integrada à questão negra." O objetivo de Jorge dos Anjos, não alcançado durante os anos de estudo na Faop, voltava à cena na década de 80. Decidido a se aprofundar no tema, ele viaja, em 1984, para a Bahia, com intuito de pesquisar o Candomblé. "Na religião achei os elementos negros que buscava", diz. Na
bagagem, de volta a Ouro Preto, também traz algum dinheiro obtido
com a venda de desenhos para empresas do Nordeste. "Em Salvador,
encontrei uma amiga, Wanda Guerra, que estava dando um curso para confecções
e me convidou para participar. Fui e acabei vendendo meus desenhos para
seis empresários do ramo", conta. Em 1987, Jorge dos Anjos passa a criar projetos para esculturas, realizados em papelão e, dois anos depois, resolve se mudar para Belo Horizonte, com objetivo de investir no trabalho, pois o campo de artes plásticas na capital é mais promissor do que em Ouro Preto. "As idéias estavam surgindo e eu precisava vê-las em aço. Pedi ajuda ao Eolo Maia (arquiteto) para montar parcerias com outros profissionais e viabilizar as obras. Ele me apresentou a algumas pessoas e, nos anos 90, fechei uma produção para um prédio de João Diniz (também arquiteto), no Santa Efigênia", lembra. Esta
fase marca o início dos convites que se desdobraram em obras
espalhadas por espaços públicos, tais como: Monumento
Zumbi Liberdade e Resistência - 300 Anos, na avenida Brasil, os
painéis do Bahia Shopping, ambos em Belo Horizonte; e a escultura
Via Urbana, na avenida Maestro Lisboa, em Fortaleza (CE). Os trabalhos
do artista também podem ser conferidos nos livros "Visagens"
(parceria com Álvaro Andrade Garcia, de 1998), "Revue Noire
- Brésil - Afro-Brasileiro" (1996) e "Um Século
de História das Artes Plásticas de Belo Horizonte",
publicação da editora mineira C/Arte, de 1997, lançada
em parceria com a Fundação João Pinheiro. |
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