Depoimento - Lorenzato

Por muito tempo à obra de Amadeu Luciano Lorenzato, esteve associada a tradição popular, contribuíram para isso a freqüência com que a paisagem cotidiana, as favelas e os casarios aparecem em seus trabalhos. Porém uma análise que se restringisse a essa primeira relação ignoraria aquilo que seu trabalho tem de mais importante.

Lorenzato sempre esteve despreocupado com normas ou tendências pré-estabelecidas que, aliás, ele conhecia bem em função do longo período que permaneceu na Europa tendo contato com toda a produção artística do continente, desde o Renascimento até as primeiras vanguardas do século XX.

Como artista desejoso em investigar o próprio fazer produzia sua tinta, experimentava suportes e materiais diversos criando texturas com recursos herdados de sua antiga profissão; esculturas e desenhos em placas de cimento; estudos e croquis com papéis que estivessem ao alcance da mão - convites de exposições, caderno do filho, maços de cigarros.

Perceber seu trabalho como um produto de manifestação popular é portanto incorrer num erro, pois seu fazer nada tem de ingênuo. O artista não segue regras estritas nem se apega a estruturas estilísticas pré-determinadas, pois conforme registrou no verso de um trabalho de 1948 é "pintor autodidata e franco atirador. Não tem escolas. Não segue tendências. Não pertence a igrejinhas. Pinta conforme lhe dá na telha. Amém.”

Em toda sua obra Lorenzato elegeu apenas uma regra: a liberdade.

Janaina Melo

 

Lorenzato - Depoimento
Organização: Janaina Melo
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Livro brochura com 96 páginas, formato 16x16 cm, 59 ilustrações p&b e 37 coloridas
ISBN: 85-87073-94-X
Data de publicação: 2004
Preço: R$ 32,00