Maria Helena Andrés

"Há razões desconhecidas que nos movimentam para o ato de criar. Esse processo é também educativo e nos permite autoconhecimento. Minha pintura abstrata surgiu de vertentes opostas em busca de síntese. Veio de uma vivência muito rica nos Estados Unidos , em 1961, de um curso feito com Theodorus Stamus e da necessidade de assimilar e refletir sobre o processo interno da arte. Viajar, conhecer o mundo, observar e, sobretudo, vivenciar a experiência de pintar diretamente um quadro enorme, sem modelo, foram fatores fundamentais para que minha própria síntese artística se esboçasse."

"O desenvolvimento interior do homem, de suas potencialidades espirituais, possibilita uma comunicação com nosso semelhante de forma direta, sem auxílio da palavra. Sentimos esta comunicação também através da arte. Os artistas, despertando a intuição, muitas vezes se assemelham aos místicos. Nos momentos de inspiração, quando a mente se aclara num relâmpago e as idéias jorram espontâneas, sem medidas impostas pela razão, percebemos também o encontro com a realidade interna procurada pelos yoguis. Meditação e criatividade são formas de descoberta interior. Meditamos de certo modo quando nos empenhamos num trabalho de arte, despertando energias desconhecidas. O artista, quando cria, traz à tona não somente o que está em seu inconsciente, mas reflete o inconsciente coletivo, universal."

 

Maria Helena Andrés: depoimento. Coleção Circuito Atelier.
Belo Horizonte: C/Arte, 1998, p. 18 e 42.
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