MARIA HELENA ANDRÉS
Luminosidade e Poesia

Maria Helena Andrés, nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais, começou sua atividade artística cedo, em inícios dos anos 40. Estudou no Ateliê de Carlos Chambelland no Rio de Janeiro e na Escola Guignard de Belo Horizonte, tendo como mestres Guignard e Edith Bhering.

Sua sensibilidade artística logo compreendeu a importância da liberdade na criação. A princípio a lição do mestre Guignard foi acatada com discrição e perfeição técnica distinguindo-se o traço pessoal da artista pela leveza compositiva, os fundos transparentes e uma contida expressividade abrindo-lhe uma trajetória lírica, onde o fazer artístico transborda em luminosa poesia.

Da figuração lírica dos primeiros tempos ao rompimento com a tradição do desenho de Guignard não foi necessário um longo trajeto, já nos anos 50, a série Cidades Iluminadas marcaria a passagem pelo concretismo sem, no entanto, se voltar a uma rigidez que apagasse o tom poético que confere um caráter intimista a toda a sua obra. Tocada pela beleza plástica de um Mondrian, Maria Helena concilia nesta fase linhas e cores numa esquematização formal apropriada a uma síntese compositiva plena de organização.

A inquietude da artista logo a levaria ao rompimento com o geometrismo e a opção pela pintura gestual delimitaria os anos 60, após viagem de estudos aos Estados Unidos onde recebe a orientação de Theodorus Stamus em Nova York. Esta fase impulsionaria superfícies de matéria espessa e agitada aproximadas do que se convencionou chamar de Expressionismo Abstrato.

Os anos 70 e 80 caracterizariam o interesse pelo estudo do oriente, com a realização de viagens culturais à Índia que ampliariam as possibilidades do fazer artístico agora voltado à abstração lírica plena de luz. A experiência de vivências reflexivas sobre a arte e a cultura indiana indicaria ainda o caminho para a introspecção necessária ao conhecimento interior, que aparecerá em diversos artigos e publicações de maior fôlego levando sua criação a uma espontaneidade maior que transparece nas obras atuais onde o gesto livre, porém reflexivo, se evidencia em trabalhos como Luz do Amanhecer ou em variações icônicas sobre temas místicos como as mandalas e outras formas circulares.

Com intensa atividade artística, verificável através de seu extenso currículo onde constam participações em bienais, exposições coletivas e individuais no Brasil e no exterior, prêmios e distinções de toda espécie, Maria Helena Andrés destaca-se como uma das mais importantes pintoras brasileiras, cuja obra correta e sensível perpassa por um universo lírico pleno de luminosidade e poesia. A exposição que ora se apresenta é, sem dúvida, evento dos mais significativos para o panorama da arte brasileira, onde o nome da artista se inscreve definitivamente.

Cristina Ávila
Belo Horizonte, 1994