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Do Curral Del Rei à Construção de Belo Horizonte (1894/1920)
Ao apontar os diversos significados e representações incorporadas pela cidade, Italo Calvino afirma que esta "(...) não conta o seu passado, ela o contém como as linhas da mão, escrito nos ângulos das ruas, nas grades das janelas, nos corrimãos das escadas, nas antenas dos pára-raios, nos mastros das bandeiras, cada segmento riscado por arranhões, serradelas, entalhes, esfoladuras."
Nos revela, portanto, que a cidade pode ser compreendida quando observada através dos detalhes que a compõem. Recuperar a história da quase centenária Belo Horizonte através da memória dos artistas, muitos deles de formação técnica como os arquitetos e engenheiros que estiveram envolvidos na construção da capital, é uma maneira apropriada de redesenhar o passado desse espaço urbano. É também uma reverência à memória daqueles que construíram e habitaram o Arraial do Belo Horizonte, demolido, para dar lugar à capital do futuro.
Durante os primeiros vinte anos, nesta capital, lugar do sonho e do moderno, transitaram operários, artífices, pintores, escultores, fotógrafos, arquitetos e engenheiros, brasileiros e estrangeiros.
Revisitando o passado encontramos nomes como os de Émile Rouède, Carlos Bianchi, Gabriel Galante, Guilherme Schumacher, Amílcar e Francisco Agrette, Frederico Steckel, João Morandi, João Amadeu Mucchiut, Francisco Soucassaux, Luis Olivieri e Igino Bonfioli - pintores, escultores e fotógrafos. Estrangeiros de apurada competência que deixaram seus nomes eternamente registrados na cidade, por eles decorada.
Por outro lado, nessa viagem através da memória das artes em Belo Horizonte, visualizamos valorosos talentos nacionais. Alguns nomes extrapolam fronteiras, outros mantêm em sua humildade a integridade e potência de seu talento. É nosso dever e honra reverenciar os artistas Francisco Rocha, Olindo Belém, Honório Esteves, Belmiro de Almeida, Alberto André Delpino, José Jacinto das Neves e Aníbal Mattos, talentos expressivos nas artes plásticas que nos legaram os marcos iniciais de uma cidade que tem na cultura o seu produto mais destacado.
Marcelina das Graças de Almeida
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