Emergência do Modernismo: Anos 20 e 30

"Toda obra clássica foi em seu tempo moderna". (Jauss, 1978)

Esta pesquisa tem como objetivo o estudo das mutações da modernidade estética em Belo Horizonte, nos anos 20 e 30, e se preocupa em reintegrar esse passado no presente. Definindo-se o moderno como um presente, chega-se a fazer dele um futuro passado. Nesse sentido, coloca-se em evidência a diferença relativamente ao modernismo emergente, em contraste com a cultura hegemônica conservadora daquela época em Belo Horizonte. A estética modernista coloca o acento exclusivamente sobre a função da ruptura. Sua identidade é o novo. Entretanto, "o que é meramente stylish, logo vem a sair da moda, aquilo que é moderno preserva elos velados com o clássico" (Habermas, 1980). Assim, "a modernidade é o transitório, o fugidio, o contingente, a metade da arte, cuja outra metade é o eterno e o imutável" (Baudelaire, 1976).

Observa-se que esta mostra procura rememorar o conflito inicial entre modernidade e tradição, nos anos 20 e 30, e coloca em relevo obras significativas que ilustram diferentes momentos de ruptura histórica no cotidiano da cidade. Lembra-se que "há uma modernidade para cada pintor antigo; toda modernidade deve inexoravelmente se transformar, por ela mesma, em antigüidade" (Baudelaire, 1976). Mas é precisamente nas intersecções da diacronia e da sincronia que se manifesta a historicidade da arte.

Rememorando essa história, observa-se que a exposição de Zina Aita, em 1920, foi o primeiro evento modernista de Belo Horizonte. Ele abre o ciclo das exposições de arte moderna, mas sofre descontinuidade. A trajetória histórica do modernismo na capital de Minas é pontuada por avanços e recuos e evidencia a ousadia dos modernos em relação à sólida hegemonia acadêmica dos anos 20 e 30 - tempos de revolução. O Salão do Bar Brasil, realizado em 1936 - primeira coletiva modernista da cidade - testemunha a consciência social e política dos artistas modernos em relação à ruptura com o passado conservador e o compromisso de sua geração com a mudança.

Ivone Luzia Vieira