Consolidação da Modernidade: Anos 40 e 50

Anos 40, novos ares dão a Belo Horizonte uma face cada dia mais moderna. Prefeitura de Juscelino Kubitschek, industrialização, construção do conjunto arquitetônico da Pampulha. Presença de Niemeyer, Burle Marx, Portinari e Guignard.

A arquitetura de Niemeyer encurva o concreto armado. Idéia neobarroca, ajustamento das montanhas fechadas e caladas à abertura das formas. Os azulejos de Portinari contrariam a tradição católica, grandes painéis substituem a decoração eclética e neogótica por traços expressionistas. O paisagismo de Burle Max revela a beleza da flora brasileira em jardins idealizados que submetem a natureza a uma determinada composição espacial e urbanística.

No parque Municipal, Guignard ensina o desenho com lápis duro. Novas cores, novas paisagens, jeito lírico de ver-fazer - construir e ajustar o pensamento modernista. Duas gerações de jovens mineiros surgem para arrebatar o ainda provinciano meio artístico local. Novos nomes são revelados e se revelam.

A lição do Mestre Guignard é aprendida, degustada e digerida. Anos 50, artistas mineiros ganham o mundo. É hora de por em prática outra lição modernista - TUPY OR NOT TUPY - e transformar o tabu em tótem. Devorar sem ser devedor, sem ânsia de independência, ou auto-suficiência nacional, mas com olhos voltados para o mundo. A arte feita em Belo Horizonte cresce de si e de outras praxis poéticas.

A vocação rebelde Oswaldiana dos anos 20 se repete em nova antropofagia, em uma releitura dos precursores, em liberdade para a mutação. Entram em cena as incursões de tendências múltiplas de diferentes valores plásticos e poéticos. O salão municipal abre-se para todos os artistas nacionais
(12 de outubro de 1954). O Cassino vira Museu de Arte dez anos após a proibição do jogo em 47.

Ultrapassam-se fronteiras. Busca-se interagir, transformar o alheio em nosso, apropriar-se dos novos tempos, reivindicar valores estéticos e ideológicos que as neovanguardas dos anos 60 irão consolidar.

Cristina Ávila