Prospecções: Arte nos Anos 80 e 90
Pode ser rastreada, desde os primeiros anos da década de 80, a procura de uma linguagem artística que respondesse aos novos desafios que vão se colocando para as sociedades contemporâneas. O horizonte posto em discussão alude a motivações diversas que vão desde uma sensação de esgotamento da experiência artística até a vivência, direta, do impacto das novas tecnologias. Entre um ponto e outro todos os dilemas colocados por uma situação que desaparece - a dos sistemas fechados - e de uma paisagem que se desenha no horizonte - o universo da globalização.
A cena brasileira, se tem características próprias, não foge às tensões colocadas por uma situação de trânsito entre forças adversas. De um lado está o esgotamento do regime autoritário e os últimos momentos da ditadura militar; de outro está em pauta a transição para um estado democrático e a mobilização da sociedade civil para composição de uma perspectiva social e política. Talvez seja esta travessia dramática entre o velho e o novo que não só dá um sabor especial às produções artísticas que lhe correspondem, como também caracteriza as opções estéticas dominantes dos anos 80 e 90.
Se nestas duas décadas vai se tornar evidente a aparição de uma nova geração de autores, igualmente evidente, nas obras aparece um confronto de perspectivas que se clarifica ao longo dos últimos 15 anos. O que surge, no início dos anos 80, como arroubo libertário, alegria guerreira mobilizando contra todos os dogmas (inclusive os modernos), torna-se, ao final da década, dramaticidade exacerbada, luz melancólica que estende-se corrosivamente sobre os anos 90.
Expostos brutalmente os temas da morte e da vida, surgem imagens errantes, pluralidade de linguagens e procedimentos. Seu mote: o cosmos estremecido.
Walter Sebastião
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