| "Sempre me preocupei com o uso social da imagem. Interesso-me pela produção vernacular, desprovida da roupagem estética, que já é uma espécie de “margem” da fotografia. Gosto de lidar com esse material, porque me fala da vida cotidiana, do indivíduo e do ser humano. Acredito que esse tipo de imagem conta muito mais sobre a humanidade do que a chamada fotografia de autor. A idéia da margem nos meus trabalhos corresponde ao que quase pula para fora do circuito dos objetos. O que quase vai para o lixo. Interesso-me por esse material pois ele me leva a pensar em que medida posso determinar que uma coisa não serve para absolutamente mais nada. Trata-se de uma questão de atribuição de valor e meu trabalho sempre começa pelo questionamento da atribuição de valor. Em fotografia, pode-se falar de valor estético, valor documental, valor simbólico, valor sentimental, e por aí vai… então, quando se destinou uma imagem ao lixo, significa que ela perdeu muita coisa."
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