






|
"Desenhei a vida inteira, desde criança e adolescente desenhando os meus sonhos. Continuei desenhando com Guignard. Os temas eram ligados às minhas circunstâncias. Pintei madonas por influência religiosa. Estudei em colégio de freiras e Nossa Senhora é uma referência muito presente na minha vida. Desenhei e pintei muitos cristos, muitos santos, retratos, sobretudo de familiares, natureza-morta, cenas e personagens de rua, sorveteiro, menino correndo na chuva, procissão, coroação, circo, festas e tipos populares, etc. Depois entrei numa fase experimental até chegar nas manchas e na abstração, no surrealismo e no fantástico. (...) Com as manchas e o inconsciente, caí no surrealismo. Não no surrealismo histórico, ortodoxo, do André Breton em 1924, um surrealismo cheio de manifestos, mas no surrealismo que chamam de eterno, o fantástico, que já fazia parte das antigas épocas inocentes e dos séculos obscuros, e que só deixará de existir quando o homem tiver todas as respostas. O surrealismo não se preocupa com invenções, mas com descobrimentos."
Sara Ávila: depoimento. Coleção Circuito Atelier. |